E de novo, eu inventei na minha cabeça um ser que gostava de mim e me tratava bem. Me dava bom dia, sorria pra mim quando me via. Que me procurava para saber como eu estava e todo dia ele sorria pra mim.
Hoje, me dei conta que ele não estava ali mais. Que eu inventei tudo isso para amenizar minha dor. Para fingir que essa espera não está me matando. Para me convencer que dessa vez, ia ser diferente. Mas, infelizmente, não está sendo.
Mas, como eu mudei, estou otimista.
Um dia, em breve, esse ser vai sair da minha cabeça e se materializar. E vai ser melhor do que eu imaginava.
E enquanto ele não vem, preciso respirar fundo, tomar coragem e fazer minha caminhada sozinha mesmo.
terça-feira, 17 de outubro de 2017
domingo, 16 de abril de 2017
Menos de mim
Voltando pra casa vi um cachorro se debatendo no meio da rua. Só soube parar para acudir ele. Logo que desci do carro senti um negócio horrível, como se eu tivesse perdido um pedaço de dentro de mim, algo sendo arrancado. Só levei as mãos no peito como que querendo parar com aquele sentimento horrível. Ele já tinha morrido. Minha mãe o ergueu do chão e o pôs na calçada e eu continuei segurando meu peito que ainda sentia algo sendo retirado. Me segurei para não chorar. Olhei mais atentamente procurando ver um resquício de respiração, mas nada. E o meu peito parou de doer. Nesse momento eu percebi que o que eu sinto toda vez que vejo um cachorro ou pessoa machucada, sinto um declínio de energia. Como se eu fosse um rio, e alguém ou algo retirasse muita água de mim de uma vez. É um sentimento muito ruim.
Que eu sou um tipo de esponja, eu já percebi, mas tenho medo que um dia eu nem queira sair da casa para não perder energia.
Ando cansada de dividir minhas forças com as pessoas, mesmo não querendo, elas continuam me sugando. É estranho falar assim, mas é o que eu sinto.
Gostaria de menos sugadores perto de mim. Onde estão as outras esponjas?
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